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Linfedema depois do câncer de mama: sinais, cuidados e o que mudou nas orientações

Peso, aperto ou inchaço no braço do lado operado são motivo para falar com a equipe cedo, porque o linfedema tratado no começo responde melhor. Vermelhidão, calor e febre no braço pedem atendimento no mesmo dia.

Equipe editorial Aura SaúdeRascunho, sem revisão clínica
Ilustração de canais curvos paralelos com gotas correndo por eles
Ilustração Aura

Os gânglios da axila drenam a linfa do braço. Quando a cirurgia retira esses gânglios, ou a radioterapia atinge a região, a drenagem pode ficar mais lenta e o líquido se acumula: é o linfedema.

Ele pode surgir logo depois do tratamento ou anos mais tarde, quase sempre devagar.

Quem tem mais risco

Uma meta-análise de 72 estudos, publicada na Lancet Oncology em 2013, encontrou linfedema no braço em 16,6% das mulheres depois do câncer de mama; nos estudos que acompanharam as pacientes desde o início, em 21,4%, mais de uma em cada cinco.

O risco foi cerca de quatro vezes maior depois do esvaziamento axilar (19,9%) do que depois da biópsia do linfonodo sentinela (5,6%). Mastectomia, mais gânglios retirados, sobrepeso e obesidade também aumentaram o risco.

Os primeiros sinais

Segundo o NCI, vale avisar a equipe ao notar:

  • Sensação de peso, de braço cheio ou apertado
  • Anel, relógio ou manga da roupa apertando mais do que antes
  • Inchaço que deixa um braço maior que o outro, às vezes com marca ao apertar a pele
  • Formigamento, dormência, fraqueza ou dificuldade para mexer o braço

Cuidados que têm base

O que o NCI lista para diminuir o risco:

  • Proteger a pele de cortes, queimaduras e ressecamento
  • Manter um peso saudável
  • Fazer exercício com regularidade, inclusive de força, começando aos poucos
  • Usar a malha de compressão quando ela for indicada
  • Evitar roupas, joias e alças apertadas, e não carregar bolsa pesada do lado operado
  • Elevar o braço ao descansar

Proibições antigas

Durante anos, a lista de cuidados incluiu não medir pressão, não tirar sangue e não tomar injeção no braço do lado operado, além de usar malha em viagens de avião. Uma revisão publicada na Lancet Oncology em 2016 concluiu que a maior parte dessas precauções tem evidência fraca ou inconclusiva, e defendeu orientar conforme o risco de cada mulher. Entre os fatores de risco, o mais bem estabelecido foi a infecção na pele do braço.

Muitos serviços mantêm as precauções por segurança. Siga a orientação da sua equipe e pergunte o que vale para o seu caso.

Tratamento

Sinais de infecção no braço

Vermelhidão, calor, dor, inchaço que piora de repente ou febre podem ser celulite, uma infecção da pele que é complicação comum do linfedema. Procure atendimento no mesmo dia: sem tratamento, ela pode ficar grave.

O tratamento é feito por fisioterapeuta com formação na área e combina drenagem linfática manual, enfaixamento, malha de compressão, exercícios e cuidados com a pele, a chamada terapia descongestiva complexa. Em casos avançados, existe cirurgia.

Alguns serviços ensinam a medir o braço com fita métrica, sempre no mesmo ponto. Anotar a medida e a sensação de peso ao longo das semanas ajuda a mostrar uma mudança lenta que passaria despercebida.

Fontes

  1. Lymphedema (PDQ®) – Patient Version — National Cancer Institute
  2. DiSipio T, et al. Incidence of unilateral arm lymphoedema after breast cancer: a systematic review and meta-analysis — Lancet Oncology, 2013
  3. Asdourian MS, et al. Precautions for breast cancer-related lymphoedema: risk from air travel, ipsilateral arm blood pressure measurements, skin puncture, extreme temperatures, and cellulitis — Lancet Oncology, 2016

Conteúdo informativo, produzido a partir de estudos e documentos públicos citados em cada artigo. Não substitui orientação, diagnóstico ou conduta de profissionais de saúde — resultados de pesquisa descrevem populações estudadas, não o seu caso. Converse sempre com sua equipe assistencial antes de qualquer decisão sobre o tratamento.