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Cuidados com a boca na quimioterapia: como prevenir e reconhecer a mucosite

Se der tempo, passe no dentista antes de começar; o ideal é um mês antes. Durante o tratamento: escova macia, creme dental suave, enxágue sem álcool e atenção a feridas que impedem de comer ou beber.

Equipe editorial Aura SaúdeRascunho, sem revisão clínica
Ilustração de uma escova de dentes e gotas de água
Ilustração Aura

A mucosa da boca se renova rápido, e por isso sofre com remédios que atacam células que se dividem rápido. O resultado pode ser a mucosite: vermelhidão, ardência e feridas que, nos casos mais fortes, dificultam mastigar, engolir e até falar.

Nem todo esquema causa mucosite com a mesma frequência, e muita gente passa o tratamento sem ter. Mas alguns cuidados simples diminuem o risco e ajudam a reconhecer cedo quando algo não vai bem.

Antes de começar: o dentista

O NCI recomenda uma avaliação completa da boca, de preferência pelo menos um mês antes do início do tratamento, para resolver cáries, gengivite e dentes com problema antes que a imunidade caia. Nem sempre há esse tempo, e o tratamento não deve esperar por isso; mas, se houver, vale a consulta.

Avise o dentista que você vai fazer quimioterapia e leve a lista de remédios. Procedimentos durante o tratamento costumam ser combinados com a equipe oncológica, por causa do risco de sangramento e de infecção.

A rotina diária

A base é manter a boca limpa e úmida sem machucar a mucosa:

  • Escovar dentes e gengiva duas a três vezes por dia, com escova de cerdas macias, trocada com frequência
  • Usar creme dental com flúor e sabor suave; menta forte pode arder
  • Passar fio dental com delicadeza, uma vez por dia
  • Enxaguar a boca várias vezes ao dia. O NCI sugere uma solução de ¼ de colher de chá de sal e ¼ de colher de chá de bicarbonato em cerca de um litro de água
  • Evitar enxaguantes com álcool
  • Manter os lábios hidratados

O que comer quando a boca dói

Comidas macias e úmidas, mornas ou frias, costumam ser mais fáceis. Vale evitar o que arde ou arranha: comidas ácidas ou apimentadas, bebidas muito quentes e alimentos duros ou crocantes, como torrada e salgadinho.

Beber água ao longo do dia mantém a mucosa úmida. Se comer e beber ficar difícil, isso é informação para a equipe, não algo para aguentar calada.

Gelo na boca: quando funciona

A crioterapia oral, que é manter gelo na boca durante a infusão, tem evidência para dois grupos: quem recebe 5-fluorouracil em bolus (aplicação rápida) para tumores sólidos e quem faz transplante de medula com melfalano em dose alta. A diretriz da MASCC/ISOO de 2020 recomenda o gelo nesses dois casos. O frio contrai os vasos da boca e diminui a quantidade de remédio que chega à mucosa.

Fora dessas situações, a diretriz não encontrou evidência suficiente para recomendar. E com alguns remédios, como a oxaliplatina, o frio pode provocar reações. Por isso o gelo é combinado com a equipe, não adotado por conta própria.

Quem usa everolimo

Para mulheres com câncer de mama metastático receptor hormonal positivo que usam everolimo com exemestano, aftas são um efeito comum. No estudo SWISH, de 2017, um enxaguante de dexametasona sem álcool, usado desde o início, fez a estomatite de grau 2 aparecer em 2% das participantes nas primeiras oito semanas, contra 33% nos dados históricos do estudo que aprovou o remédio.

O SWISH não tinha grupo de comparação próprio, o que deixa o tamanho do efeito menos certo. Se é o seu caso, vale perguntar à equipe sobre o enxaguante.

Quando avisar a equipe

Não espere a consulta se…

as feridas impedem de beber líquidos ou de engolir, há sangramento na boca que não para, aparecem placas brancas que não saem, ou há febre. Mucosite com febre durante a quimioterapia pede contato com a equipe ou atendimento no mesmo dia.

Também vale anotar em que dia do ciclo as feridas começaram, a dor de 0 a 10 e o que você conseguiu comer. Segundo o NCI, a mucosite da quimioterapia costuma cicatrizar sozinha em duas a quatro semanas quando não há infecção, e saber quando ela aparece ajuda a equipe a se antecipar no próximo ciclo.

Fontes

  1. Oral Complications of Chemotherapy and Head/Neck Radiation (PDQ®) – Patient Version — National Cancer Institute
  2. Elad S, et al. MASCC/ISOO clinical practice guidelines for the management of mucositis secondary to cancer therapy — Cancer, 2020
  3. Dexamethasone mouthwash and everolimus-related stomatitis (estudo SWISH) — The ASCO Post

Conteúdo informativo, produzido a partir de estudos e documentos públicos citados em cada artigo. Não substitui orientação, diagnóstico ou conduta de profissionais de saúde — resultados de pesquisa descrevem populações estudadas, não o seu caso. Converse sempre com sua equipe assistencial antes de qualquer decisão sobre o tratamento.