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Formigamento nas mãos e nos pés na quimioterapia: o que é a neuropatia e o que fazer

Formigamento, dormência ou dificuldade para abotoar a roupa são informação para a equipe já no ciclo em que aparecem. Ainda não há remédio que previna a neuropatia; ajustar a dose a tempo é o que mais protege.

Equipe editorial Aura SaúdeRascunho, sem revisão clínica
Ilustração de linhas que se ramificam como nervos, com pontos acesos nas pontas
Ilustração Aura

Taxanos (como paclitaxel e docetaxel), derivados da platina (como a oxaliplatina) e alguns outros remédios podem lesar os nervos periféricos, os que levam sensação e movimento às mãos e aos pés. É a neuropatia periférica induzida pela quimioterapia.

Ela costuma começar pelas pontas dos dedos, nos dois lados ao mesmo tempo, e pode se acumular a cada ciclo. Em muita gente melhora depois do fim do tratamento; em parte das pessoas, deixa sequela.

Como ela aparece

Os sinais mais comuns, segundo o NCI:

  • Formigamento, dormência ou sensação de agulhadas nas mãos e nos pés
  • Menos sensibilidade ao calor, ao frio e à dor
  • Dificuldade para abotoar a roupa, pegar moedas, escrever ou digitar
  • Tropeços, desequilíbrio e cãibras
  • Dor em queimação ou em choque

Mais raramente, são afetados os nervos que controlam funções automáticas, com prisão de ventre, tontura ao levantar ou alterações na urina.

Por que contar cedo

A diretriz da ASCO sobre neuropatia, atualizada em 2020, não recomenda nenhum remédio para prevenir o problema: os estudos não mostraram benefício consistente. A ferramenta que existe é a própria dose da quimioterapia. Quando a neuropatia aparece e começa a atrapalhar, a equipe avalia se adia, reduz ou troca o remédio, pesando o benefício do tratamento contra o risco de sequela.

Para essa decisão ser tomada a tempo, a equipe precisa saber do sintoma no ciclo em que ele aparece, e não três ciclos depois. Diga também se ele atrapalha tarefas concretas: abotoar, escrever, segurar o copo, andar.

Luvas e meias geladas

Alguns centros usam luvas e meias geladas, ou compressão, durante a infusão de taxanos, para reduzir o sangue que chega às extremidades. Há estudos promissores, mas em 2020 a diretriz da ASCO considerou a evidência insuficiente para recomendar o uso fora de pesquisa. Se o seu serviço oferece, vale perguntar como eles usam e o que têm observado.

Para a dor da neuropatia já instalada, a duloxetina é o remédio com evidência na diretriz, com benefício modesto. A decisão sobre remédio é da equipe.

Segurança em casa

Com menos sensibilidade, uma queimadura ou um corte no pé pode passar sem ser notado. O NCI sugere:

  • Tirar tapetes soltos do caminho e usar tapete antiderrapante no box
  • Usar sapato fechado de sola macia, também dentro de casa
  • Pedir a alguém que confira a temperatura da água do banho
  • Usar luva térmica na cozinha e ter cuidado com facas
  • Olhar os pés todo dia em busca de cortes e bolhas
  • Levantar devagar, principalmente se houver tontura

Quem recebe oxaliplatina costuma sentir a piora com o frio nos dias seguintes à infusão: bebida gelada ou mão na geladeira sem luva podem provocar formigamento e aperto na garganta. Prefira bebidas em temperatura ambiente nesses dias.

O que anotar

Não espere a consulta se…

a fraqueza piora rápido, você cai, tem dificuldade para engolir ou respirar, ou perde o controle da urina. Esses sinais pedem contato com a equipe no mesmo dia.

Em que dedo ou região começou, se está subindo, se atrapalha alguma tarefa e a intensidade de 0 a 10. No app Aura Onco, o histórico dos registros ajuda a mostrar à equipe se o sintoma piorou de um ciclo para o outro.

Fontes

  1. Nerve Problems (Peripheral Neuropathy) and Cancer Treatment — National Cancer Institute
  2. Loprinzi CL, et al. Prevention and Management of Chemotherapy-Induced Peripheral Neuropathy in Survivors of Adult Cancers: ASCO Guideline Update — Journal of Clinical Oncology, 2020
  3. Updated ASCO Guideline Revisits Evidence on Prevention and Treatment of Chemotherapy-Induced Neuropathy — The ASCO Post

Conteúdo informativo, produzido a partir de estudos e documentos públicos citados em cada artigo. Não substitui orientação, diagnóstico ou conduta de profissionais de saúde — resultados de pesquisa descrevem populações estudadas, não o seu caso. Converse sempre com sua equipe assistencial antes de qualquer decisão sobre o tratamento.