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Ansiedade e tristeza no tratamento: quando é esperado e quando pedir ajuda

Sentir medo e tristeza é esperado. Tristeza que dura semanas, perda de interesse por tudo ou ansiedade que atrapalha o sono e o dia a dia merecem ajuda. Psicoterapia tem evidência e é a primeira opção na diretriz da ASCO de 2023.

Equipe editorial Aura SaúdeRascunho, sem revisão clínica
Ilustração de dois balões de conversa sobrepostos
Ilustração Aura

O diagnóstico muda a rotina, o corpo, o trabalho e os planos. Medo, raiva, tristeza e cansaço emocional são reações esperadas, e a maioria das pessoas vai encontrando um jeito de atravessar.

Para parte delas, porém, o sofrimento vira um quadro de ansiedade ou de depressão. E isso tem tratamento.

Quão comum é

Uma meta-análise de 94 estudos com entrevista psiquiátrica, publicada na Lancet Oncology em 2011, encontrou depressão em cerca de 16% das pessoas em tratamento oncológico, ansiedade em cerca de 10% e transtorno de adaptação em cerca de 19%.

Ou seja: não é raro, e não é sinal de fraqueza.

Sinais de que vale pedir ajuda

Converse com a equipe se você notar:

  • Tristeza ou vazio na maior parte do dia, por duas semanas ou mais
  • Perda do interesse ou do prazer em quase tudo
  • Preocupação que não desliga e atrapalha o sono, a comida ou o trabalho
  • Crises de falta de ar, coração disparado ou pânico
  • Sensação de não ter esperança ou de ser um peso para os outros

Alguns desses sinais se confundem com os do próprio tratamento, como cansaço, falta de apetite e sono ruim. Por isso a avaliação é feita por um profissional, e não por uma lista.

O que diz a diretriz da ASCO

A atualização de 2023 da diretriz da ASCO sobre ansiedade e depressão em pessoas com câncer recomenda que todas recebam informação sobre o tema, e que familiares e cuidadores também. Para sintomas mais fortes, a primeira linha é psicológica: terapia cognitivo-comportamental, ativação comportamental, redução de estresse baseada em mindfulness ou terapia interpessoal.

Remédio continua sendo opção quando a terapia não está disponível, não funcionou, ou quando a pessoa prefere ou já respondeu bem a ele antes. O que mudou é que deixou de ser a primeira escolha.

Onde buscar ajuda

Alguns caminhos possíveis:

  • Perguntar à equipe se o serviço tem psico-oncologia ou psicologia; muitos centros de tratamento têm
  • No SUS, a Unidade Básica de Saúde e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) atendem saúde mental
  • Grupos de apoio de pacientes, presenciais ou online, ajudam muita gente a se sentir menos sozinha
Se a dor ficar insuportável

Pensamentos de se machucar ou de que a vida não vale a pena pedem ajuda imediata. O CVV atende de graça, 24 horas, pelo telefone 188 e pelo chat em cvv.org.br. Em emergência, ligue 192 (SAMU).

Contar à equipe como você está se sentindo faz parte da consulta, tanto quanto falar de náusea ou de dor.

Fontes

  1. Andersen BL, et al. Management of Anxiety and Depression in Adult Survivors of Cancer: ASCO Guideline Update — Journal of Clinical Oncology, 2023
  2. ASCO Updates Guideline for Management of Anxiety and Depression in Adult Cancer Survivors — The ASCO Post
  3. Mitchell AJ, et al. Prevalence of depression, anxiety, and adjustment disorder in oncological, haematological, and palliative-care settings (Lancet Oncology, 2011) — ecancer
  4. CVV — Centro de Valorização da Vida

Conteúdo informativo, produzido a partir de estudos e documentos públicos citados em cada artigo. Não substitui orientação, diagnóstico ou conduta de profissionais de saúde — resultados de pesquisa descrevem populações estudadas, não o seu caso. Converse sempre com sua equipe assistencial antes de qualquer decisão sobre o tratamento.